Dor no joelho me matando. Tomei remédio e desmaiei (thank god estou de folga). Tive o melhor sonho: morava em uma casa minha. O meu quarto era imenso e tinha cama de casal só pra mim. Tinha também um closet gigante, com espelhos nas portas...com muitas e muitas roupas da M.Officer...jeans maravilhosos. Olhei a etiqueta e eles eram 38...comecei a vestir e tirar aquelas roupas perfeitas e caminhar...não, desfilar. Me sentia uma deusa.
No sonho meu pai não tinha morrido. Por isso minha vida era perfeita. Ele sempre brincava comigo, assim:
Eu: Pai, estou gorda?
Ele: Sim, Katheryne, você está enorme. Está tão gorda que uma hora não vai mais passar na porta. Não sei como você consegue se enxergar no espelho com esse tamanho todo.
Eu: Paaaaaaaaaai... estou falando sério, seu bobo.
Ele: Eu também.
Eu: : /) ...
Ele: Você é doida.
Durante o meu tratamento ele me acompanhou todos os dias na psicóloga, na nutricionista, na psiquiatra, no gastro...sempre comigo, rindo e fazendo brincadeiras pra que eu ficasse feliz. Mas eu nunca ficava. Tomava cada vez mais remédios e a tristeza só aumentava, o vazio, a solidão. Enquanto estava na sala de espera do Hospital Universitário eu sempre cochilava com a cabeça no ombro dele. Eu babava. Uma vez ele disse que eu até ronquei... e ele dava risada da minha cara. Quando a minha psiquiatra tirou férias a outra, a megera, não quiz me dar a dose que eu precisava de Rivotril. Ele foi lá e brigou com ela. Ela ameaçou chamar os seguranças pra ele.
Ele fez tudo o que pode por mim, mas não conseguiu me consertar.
Um dia antes de morrer, no hospital, ele me disse: Filha, eu fiz o que eu pude por você, mas agora estou muito doente, muito, muito doente. Você continua: estuda e trabalha bastante, pois de onde eu estiver estarei rezando por você.
Sabe o que me derruba? Eu sei que ele não está em lugar nenhum. E eu sei que acabou tudo mesmo. E eu sei que nunca mais vou ver ele. Mal consigo me lembrar da voz dele. É como se ela fosse se apagando devagar...ficando cada vez mais lá no fundo da minha mente, como um eco.
É me desmanchando em lágrimas que escrevo aqui. Mas é o que farei de agora em diante: escrever. Não vou beber, nem fumar um maço de cigarros...ou comer feito uma louca para preencher o vazio e acabar com a dor que sinto por dentro.
Uff... estou conseguindo respirar agora.



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